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Marcelo Ninio

No Oriente Médio

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Visita à "porta da paz" na Síria

Por Marcelo Ninio
24/07/12 13:47

Rebeldes sírios pouco após a tomada da fronteira de Bab al Salam (Foto: Marcelo Ninio)



BAB AL SALAM (SÍRIA)
– As notícias da morte iminente do regime sírio foram exageradas. Mas é inegável que os rebeldes fizeram avanços significativos na última semana. A guerra civil finalmente chegou ao centro das duas principais cidades do país, Damasco e Aleppo. Na capital, uma explosão no centro nervoso da segurança da ditadura matou pelo menos quatro altos oficiais. Os dois principais postos da fronteira com a Turquia foram abandonados pelos soldados do ditador Bashar Assad, derrotados em combates com os rebeldes. Em Bab al Salam (porta da paz, em árabe), onde passava grande parte do comércio entre os dois países, opositores armados com fuzis Kalashnikov fazem o sinal da vitória pisando em retratos despedaçados de Assad. Quando visitei a fronteira, pouco após a conquista, eles batiam papo preguiçosamente nos escritórios refrigerados da aduana. Estranhamente, não havia qualquer sinal de estresse e a “porta da paz” justificava seu nome.

Parece o começo da revolução na Líbia, mas as semelhanças param por aí. Na Líbia, os insurgentes conquistaram rapidamente uma enorme fatia do território, o que lhes deu fôlego para se organizar. Na Síria, o regime responde com chumbo grosso à revolta em quase todo o país e não permitiu o estabelecimento de uma zona de segurança, como na Líbia. Em Damasco, a ofensiva rebelde foi rechaçada e o regime reassumiu o controle das áreas-chave.

Mas a admissão do governo, pela primeira vez, de que possui armas químicas parece um sinal claro de que Assad sente-se cada vez mais encurralado. Por enquanto, nenhum dos lados tem condições de derrotar o outro. O desfecho é incerto. A eventual queda de Assad não significa o fim da violência. Com o sectarismo em alta, vislumbra-se um cenário como o da guerra civil no Líbano, com um país desintegrado em regiões controladas por diferentes facções. Ouve-se cada vez mais que Assad já teria se mudado para a cidade costeira de Latakia para estabelecer uma área protegida para os alauítas, a seita minoritária a que pertence sua família e grande parte da elite militar.

Outro dia eu viajava com dois sírios sunitas perto da fronteira, quando um rapaz, também sírio, pediu carona. Estranhei que os dois, geralmente falastrões e gozadores, ficaram em silêncio até o fim da viagem. Depois me explicaram: “Não confiamos. Ele é alauíta”.

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Comentários

  1. André Sarmento comentou em 26/07/12 at 21:28

    O último paragrafo diz tudo o que aguarda a Síria no caso do golpe terrorista da CIA ser bem sucedido. Uma sangrenta guerra civil similar a ocorrida no Líbano.

    O ditador saudita desejoso de ampliar o número de “monarcas esclarecidos” da sua estirpe não poupará esforços para que isto ocorra. A Síria outrora um dos países islâmicos mais liberiais se tornará uma filial da Árabia Saudita, um novo Afeganistão do Talebã. A primeira medida dos Conselho Nacional Terrorista líbio ao tomar o poder foi instalar a sharia retirando todos os direitos que as mulheres líbias tinham. O ditador saudita Abdulah aplaudiu a decisão.

    Pobre Síria!

    Longe de Alá e muito próxima de Israel!

  2. Fabio de Israel comentou em 25/07/12 at 6:01

    E impressionante como ja colocam a culpa em Israel.Os caras se matam por nao se entenderem,o que e historico,e a culpa e
    de Israel e dos Estados Unidos.Esta e a
    nova propaganda nazista que corre pelo
    Mundo na boca de seus representantes,
    como vemos acima o Verdade e o Contra,
    que apelidos,hein? So falta falarem aqui
    que eles tem amigos judeus,mais nada…..

  3. RMaia comentou em 24/07/12 at 23:55

    Lembram-se de Lula saudando “o grande irmão” Assad em Brasília, até lhe ofereceu um brinde, Assad constrangido não levantou a taça é óbvio. Isso mostra o quão equivocada é nossa política externa sob auspícios do PT. Nos curvamos a esses ditadores por um suposto apoio no Conselho de Segurança da ONU – a maior de todas as ONG´s deste planeta. O apoio de China e Russia se dá por motivos comerciais bélicos, enquanto há guerra, há comercio bélico, no show Vertigo do U2 enquanto cantavam “bullet in the blue sky”, o telão mostrava “quais são os cinco paises com direitoa veto no CS da ONU – USA, France, UK, China and Russia” e quais são os países que mais comercializam artigos militares no mundo “USA, France, UK, China and Russia”.

  4. A verdade comentou em 24/07/12 at 22:34

    China e Russia devem continuar apoiando
    Assad, para que este, derrote os terroristas a mando dos EUA e ISRAEL…. Quem critica Assad ou o apoio que ele recebe são pessoas que no mínimo sofreram lavagem cerebral… onde que os EUA são defensores da “liberdade”. Israel quer eliminar seus “inimigos” para que possa enfim tomar conta de todo o Oriente Médio, os EUA querem manter o domínio e hegemonia mundial levando o estilo ocidental de vida para o oriente… quem lhes deu esse direito? Os EUA que alertam a Síria que não use armas químicas (destruição em massa) é o mesmo país que lançou duas bombas atômicas no Japão… porque eles podem e os outros não? Rumo à vitória Assad, derrote os terroristas e cuspa na cara dos EUA…. Rumo a terceira guerra mundial e derrota dos infiéis.

  5. Contra comentou em 24/07/12 at 21:06

    Concordo com você. Mas e quanto aos EUA em relação a Israel? E;es vetam tudo que a ONU condena nos constantes massacres aos palestinos. inclusive nos ultimos ataques usaram fósforo, produto químico. E aí? Você protestou também nesse caso ou vc só se informa atraves dos telejornais?

  6. serginho athayde comentou em 24/07/12 at 19:22

    Me engana que eu gosto. Não tem vergonha não cara?

  7. Mauricio Lima Maciel comentou em 24/07/12 at 17:43

    Até quando o mundo vai ficar de braços cruzados, esperando o Ditador Fuínha massacrar a populaçao siria ??
    Ele já deu provas de que é louco e sanguinário.

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